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sábado, 17 de janeiro de 2026

 

Às vezes a mente já sabe que acabou. Mas o corpo… ah, o corpo ainda está lá.

Completamente atrasado, romântico, lento e profundamente biológico.

Ele continua operando como se o vínculo ainda existisse.

É como se a mente estivesse morando em 2026, enquanto o corpo insiste em permanecer na cena final do relacionamento, esperando um desfecho que nunca veio.

Por isso, de repente, sem aviso, surge aquela onda, aqueles flashs na mente:

Uma lembrança. Um cheiro. Uma música. Um sonho no meio da madrugada.

Um vazio que entra sem bater na porta e pensamentos:

Será que eu errei? Será que acabou mesmo? Será que deveríamos tentar de novo?

O neurocientista António Damásio diz algo fundamental: sentimentos são a forma como o corpo participa do pensamento.

Em outras palavras, o corpo também pensa — só que não com argumentos.

Ele pensa com sensações, reações, descargas químicas e memórias implícitas.

Quando você se apaixonou, não foi apenas uma história.

Foram trilhas neurais, sinapses, fluxos hormonais.

Dopamina para o prazer.

Ocitocina para o vínculo.

Cortisol para o estresse da perda.

Noradrenalina para a excitação emocional.

Tudo isso virou caminho habitual no seu sistema.

E o corpo ama hábitos — mesmo quando eles doem.

Nietzsche dizia que a memória humana é muito mais leal ao passado do que às decisões do presente.

A mente já sabe, a memória guarda, o corpo reage… e a gente tenta fingir que está tudo bem.

E ainda existe outro ponto importante:

muitas vezes, você não sente saudade da pessoa.

Você sente saudade de quem você foi ao lado dela.

Ou do roteiro emocional. Ou do papel que desempenhava.

Ou da narrativa que dava sentido à sua vida naquele momento.

Fernando Pessoa dizia que, às vezes, dói mais a dor do que a causa dela.

E o término prova isso com maestria.

O corpo continua remoendo a sensação, mesmo quando a razão já saiu pela porta.


  • O PRIMEIRO PASSO: NÃO É LUTAR CONTRA A DOR.
A dor não é vilã. Ela é mensageira.

Rainer Maria Rilke dizia que aquilo que é difícil precisa da nossa ternura — e isso inclui a própria tristeza.

Fingir indiferença não cura nada.

Só cria sintomas mais criativos.

E, muitas vezes, tentar parecer forte é apenas maquiagem emocional.

Por isso, o tempo não cura ninguém sozinho. O tempo apenas oferece contexto. O que cura é o processamento.


  • SEGUNDO PASSO: SENTIR NO CORPO

Não basta pensar sobre o que aconteceu.

É preciso sentir no corpo. O corpo precisa descarregar a energia do vínculo. Aquele choro que desmonta. Uma respiração que acalma. Caminhadas longas. Escrita terapêutica. Terapias corporais. Mindfulness.

Tudo aquilo que devolve o corpo ao presente.

Gabor Maté lembra que o corpo guarda a conta emocional.

E se você não negocia com ele, ele cobra com juros.


  • TERCEIRO PASSO: VIVER MICRO-LUTOS

Não foi apenas o fim de um relacionamento. Foi o fim de um plano de vida.

De uma identidade compartilhada. De um hábito emocional.

E isso exige despedidas conscientes.


  • QUARTO PASSO: CUIDAR DAS ILUSÕES DO CÉREBRO

A mente apaixonada é uma excelente editora de filme romântico.

Ela corta as cenas ruins e reprisa as boas em alta definição.

o ser humano se apega mais ao que deseja do que ao que é.

E a gente sabe: muita saudade é mais fantasia do que realidade.

Nem tudo o que dói é ausência.

Às vezes é projeção.


  • QUINTO PASSO: REEDUCAR O CORPO

O corpo precisa de novas referências de segurança.

Novos vínculos saudáveis. Novos prazeres. Novas presenças.

Aos poucos, o sistema nervoso aprende que a vida continua.

E que sim, existe amor depois do amor.

Inclusive — e principalmente — o amor-próprio.


  • FECHAMENTO

Albert Camus dizia que, mesmo no meio do inverno, existe dentro de nós um verão invencível.

O corpo só precisa de tempo, cuidado e verdade para encontrar esse verão.

Então, escuta bem:

você não está atrasada. Você não está quebrada. Você não tem defeito emocional.

Você está viva. E viver implica sentir. E sentir implica integrar.

A mente fecha o livro rápido. O corpo lê devagar. 

Sublinha. Volta páginas. Relê trechos. Chora no parágrafo final. Depois de um tempo, ele também termina.

E quando termina, a saudade vira história. A história vira aprendizado. E o aprendizado vira chão.

E aí, sim, você segue. Sem pressa. E com dignidade emocional.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

A dor de perder um amor inventado (baseado na neurociência e na psicanálise)

Nem sempre o que dói é a pessoa que foi embora. 


Às vezes, o que dói é o amor que você imaginou viver.
Na psicanálise, chamamos isso de investimento libidinal: quando projetamos no outro tudo o que falta em nós... desejos, carências e ideais que gostaríamos de realizar.


A neurociência explica que, quando nos apaixonamos, o cérebro ativa áreas ligadas ao prazer e à recompensa, liberando dopamina, serotonina e ocitocina.
Essa combinação cria uma sensação quase mágica, como se o outro fosse o centro da nossa felicidade.

Mas, nesse estágio, o cérebro não ama alguém real, ele ama a história que você criou sobre essa pessoa.
Um pouco é quem ela realmente é. Um pouco é quem você gostaria que ela fosse.


É por isso que, no começo, tudo parece perfeito.
A paixão é um truque biológico e inconsciente que faz o cérebro reviver antigas memórias de amor, desejo e pertencimento.
Ela reabre feridas antigas e faz parecer que finalmente encontramos o que sempre buscamos.


Mas o que realmente dói quando tudo acaba?

Não é só a ausência da pessoa, é a perda da sensação de ser amado, desejado e validado.
O ego se alimenta dessa validação. E, quando ela desaparece, surge o vazio.
O cérebro tenta reconstruir a identidade que existia enquanto você era amado.

Mas essa identidade era sustentada pela ilusão.
O espelho que se quebra não é o do outro...é o reflexo de quem você acreditava ser quando estava com ele.

O amor idealizado, na verdade, mostra as partes de nós que ainda não aprendemos a aceitar.
Por isso, o luto amoroso é também um reencontro com a própria essência.

A cura não vem de substituir alguém.


Ela nasce quando você reprograma seu cérebro para encontrar prazer em ser quem é, sem precisar da validação de ninguém.


A psicanálise ajuda a tornar consciente o que antes era repetição: por que você insiste em padrões que machucam, o que tenta curar através do outro, e o que ainda chama de amor, mas é apenas tentativa de preencher o vazio.

Quando você entende isso, o amor deixa de ser vício e se transforma em escolha.






O cérebro aprende por repetição e emoção:
quanto mais você associa amor à paz, menos ele buscará amor no caos.

O amor maduro nasce quando a idealização dá lugar à realidade, e o desejo encontra espaço na liberdade.

terça-feira, 24 de junho de 2025

A mesma, no entanto outra.

Encontrei descanso em você 


Me arquitetei, me desmonteiEnxerguei verdade em vocêMe encaixei, verdade eu dei
Fui inteira e só pra vocêEu confiei, nem desperteiSilenciei meus olhos por vocêMe atirei, precipiteiAgora
Agora eu quero irPra me reconhecer de voltaPra me reaprender e me apreender de novoQuero não desmanchar com teu sorriso boboQuero me refazer longe de você
Fiz de mim descanso pra vocêTe decorei, te preciseiTanto que esqueci de me quererTestemunhei o fim do que eraAgora
Agora eu quero ir..

Não é que os problemas vão ficando pequenos. É que a gente vai ficando maior... Os problemas tem o tamanho que a gente dá pra eles.

 Eu escolho o silêncio que preserva,

e não o impulso que me desgasta. 

Eu sei o valor da minha presença,

e por isso aprendo a me recolher quando não há mais reciprocidade, intensidade.. 

pra mim o que vale é o tempo de qualidade, a presença, os assuntos aleatórios, a frequência, a vontade...

Quem me conhece sabe:

eu posso ser brisa ou furacão —

mas jamais a que precisa cobrar atenção.

O que é verdadeiro não se apaga com um afastamento,

só amadurece na ausência.

Eu sou leve, intensa e rara.

E quem não souber cuidar disso,

me perde no silêncio…

e só se dá conta quando já não me tem mais.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Não voltaremos a ter essa idade. Nem a viver este Janeiro. Nem a ser assim.

E assim você aprende que viver nem sempre é sobre acertos ou erros, mas sobre entender que só temos esta vida. Então, que ela tenha a sua cara, a sua essência e o melhor de você. 


O amanhã pode não chegar

Eu espero que chegue. E provavelmente vai.

Mas confesso que não aguento mais viver esperando ele.

O melhor dia, a próxima fase, "quando aquilo acontecer", aquela pessoa, depois...

Como se nunca fosse suficiente. Sempre falta. Sempre olhando para depois como se lá eu fosse feliz.

E aqui? Aqui ta bom, mas ainda não é lá.

Basta. Chega. Deu.

Chega de buscar, de sofrer por não estar lá e ignorar o que está bem na minha frente.

Essa fixação me fez perder tantos momentos.

Sensações, experiências e até pessoas.

Sim, lá será incrível. Eu vivo aqui construindo diariamente o lá. Com meus pensamentos, hábitos e intenções diárias eu literalmente faço o lá ser possível e isso é mágico! Meus sonhos me guiam. Minha ambição me anima.

Mas aqui é o lá que antes já foi tão pedido. Tão desejado, tão sonhado.

Aqui é o "lá" da minha versão de anos atrás.

Aqui é! Aqui tem tudo, e meu Deus, como eu não tinha visto isso antes? Como eu não pude perceber?

Olho a minha volta e vejo como há anos não via. Escuto como há anos não ouvia. Sinto a roupa na minha pele, meus pés no chão. Sinto o gosto dessa maçã como se fosse a primeira ou última coisa que eu como na vida.

Observo todas as pessoas como se em alguns anos elas não estivessem mais aqui.

Olho a mim mesma no espelho. Com essa idade. A mais nova de toda minha vida. Nesse instante.

Penso em tudo que já vivi com um carinho genuíno, anseio por tudo que virá com abertura.

Mas SINTO o que sou e o que tenho nesse exato momento com todo meu amor.

Com tudo o que aqui é. Sem tirar nem por.

 

Com as dádivas e as dificuldades que é ser eu nesse instante.

E te convido a fazer o mesmo.

(Shakti Janiake)

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Outra vez

 Você foi o maior dos meus casos 


De todos os abraços, o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim



Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade faz lembrar de tudo outra vez


Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter

Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

Esqueci de tentar te esquecer

Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes
Eu tenha vontade sem nada a perder 

Ah, você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem

Você foi o melhor dos meus planos
E o maior dos enganos que eu pude fazer




Das lembranças que trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim
Outra vez

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Quando for pra ser.


 

O verdadeiro amor vai ter cheiro de café recém passado, de bolo quentinho saindo do forno, de brisa do mar.

O verdadeiro amor vai chegar devagarinho, sem avisar. Vai te dar frio na barriga, mas também segurança. Vai te alegrar, te impulsionar, te transbordar, te acolher.

O verdadeiro amor te dará mais certezas que dúvidas.

Vai fazer com que você tenha conversas difíceis e necessárias para o bem do relacionamento. 

E vai te deixar confortável para tê-las.

Vai te convidar ao amadurecimento, ao crescimento gradual e te trará a satisfação de assistir o esforço de ambos dando resultado. 



O verdadeiro amor vai fazer com que você entenda (e agradeça) o motivo de não ter dado certo antes.

E você também fará tudo isso por ele.

Vai te trazer paz no final de um dia caótico.

Vai acreditar em você quando você mesmo duvidar.

Vai te abraçar nos dias difíceis e viver com você suas maiores conquistas.

Vai te ajudar a superar suas maiores dificuldades.

Vai te mostrar que não há espaço para competição: ambos jogam no mesmo time e caminham na mesma direção.

Vai fazer planos que te incluem.

Ele não irá lutar suas lutas por você (há responsabilidades que são apenas nossas), mas estará por perto enquanto elas acontecem.

Ele não será perfeito, mas será real.

O verdadeiro amor não vai embora na primeira adversidade: vai ficar, apesar e por causa de tudo.

Ele não só chegará, como jamais irá embora. 

E quando você o encontrar, então saberá.


Texto: Brenda Slongo