Nem sempre o que dói é a pessoa que foi embora.
Às vezes, o que dói é o amor que você imaginou viver.
Na psicanálise, chamamos isso de investimento libidinal: quando projetamos no outro tudo o que falta em nós... desejos, carências e ideais que gostaríamos de realizar.
A neurociência explica que, quando nos apaixonamos, o cérebro ativa áreas ligadas ao prazer e à recompensa, liberando dopamina, serotonina e ocitocina.
Essa combinação cria uma sensação quase mágica, como se o outro fosse o centro da nossa felicidade.
Mas, nesse estágio, o cérebro não ama alguém real, ele ama a história que você criou sobre essa pessoa.
Um pouco é quem ela realmente é. Um pouco é quem você gostaria que ela fosse.
É por isso que, no começo, tudo parece perfeito.
A paixão é um truque biológico e inconsciente que faz o cérebro reviver antigas memórias de amor, desejo e pertencimento.
Ela reabre feridas antigas e faz parecer que finalmente encontramos o que sempre buscamos.
Mas o que realmente dói quando tudo acaba?
Não é só a ausência da pessoa, é a perda da sensação de ser amado, desejado e validado.
O ego se alimenta dessa validação. E, quando ela desaparece, surge o vazio.
O cérebro tenta reconstruir a identidade que existia enquanto você era amado.
Mas essa identidade era sustentada pela ilusão.
O espelho que se quebra não é o do outro...é o reflexo de quem você acreditava ser quando estava com ele.
O amor idealizado, na verdade, mostra as partes de nós que ainda não aprendemos a aceitar.
Por isso, o luto amoroso é também um reencontro com a própria essência.
A cura não vem de substituir alguém.
Ela nasce quando você reprograma seu cérebro para encontrar prazer em ser quem é, sem precisar da validação de ninguém.
A psicanálise ajuda a tornar consciente o que antes era repetição: por que você insiste em padrões que machucam, o que tenta curar através do outro, e o que ainda chama de amor, mas é apenas tentativa de preencher o vazio.
Quando você entende isso, o amor deixa de ser vício e se transforma em escolha.
quanto mais você associa amor à paz, menos ele buscará amor no caos.
O amor maduro nasce quando a idealização dá lugar à realidade, e o desejo encontra espaço na liberdade.



.jpeg)

























